O que realmente queremos saber (1)

“Quem nos separará do amor de Cristo?” Romanos 8:35

Foi por causa da canção dela. A princípio, eu não notei. Não havia razões para tal. As circunstâncias eram corriqueiras. Um papai buscando a filhinha de 6 anos numa reunião das bandeirantes. Sara ama os prêmios que ganha e o uniforme que usa. Ela entrou no carro, e mostrou-me seu novo distintivo e os biscoitos recém-assados. Eu virara na estrada, ligara sua música preferida, e voltara minha atenção para assuntos mais sofisticados.

Porém mal colocara os pés no labirinto do raciocínio, tive de retornar. Sara estava cantando. Cantando sobre Deus. Cantando para Deus. Cabeça para trás, queixo erguido e pulmão cheio, ela inundava o carro com a música. As harpas do céu silenciaram para ouvir. Esta é a minha filha? Cantava como se fosse mais velha. Parecia mais velha, mais alta, e mesmo mais bonita. Por onde andava eu? O que acontecera às bochechas redondas? O que acontecera com o rostinho e os dedos gorduchos? Ela estava se tornando uma mocinha. O cabelo louro descia-lhe pelos ombros. Os pés pendiam do assento. Nalgum lugar durante a noite, uma página havia sido virada e, olhem para ela!

Se você é pai, ou mãe, sabe o que estou falando. Ontem, as fraldas, hoje, as chaves do carro? Daqui a pouco seu filho estará indo para o colégio, talvez interno, e você desperdiçando chances de mostrar-lhe amor. Então você fala.

Foi o que fiz. A canção parou, e Sara também. Então desliguei o som, pus-lhe a mão no ombro e confessei-lhe: “Sara, você está um tanto especial”. Ela voltou-se e sorriu tolerantemente. “Um dia, algum rapaz de pernas cabeludas irá arrebatar-lhe o coração e transportá-la para o próximo século. Mas por enquanto, você pertence a mim”.

Ela inclinou a cabeça, olhou para fora por um instante, e então voltou a olhar-me e perguntou: “Pai, por que você está sendo tão esquisito?”

Supus que tais palavras soassem estranhas a uma garotinha de 6 anos. O amor de pai pode cair de modo embaraçoso nos ouvidos do filho. Minha explosão de emoções foi além da compreensão de Sara. Contudo, isso não me impediu de falar.

Não há como nossas mentes limitadas compreenderem o amor de Deus. Porém isso não o impede de vir.

E nós, também, temos inclinado nossas cabeças. Igual a Sara, temos inquirido o que o nosso Pai está fazendo. Do berço em Belém, à cruz em Jerusalém, temos ponderado sobre o amor do nosso Pai. O que você pode dizer dessa espécie de emoção? Depois de aprender que Deus preferiu morrer a viver sem você, como você reage? Como você pode explicar tal paixão? Se você fosse Paulo, o apóstolo… Mas não é. Você não fez declarações. Não ofereceu explanação. Você fez algumas perguntas. Cinco, para ser exato.

A reação de Paulo para com a graça de Deus é a quinta das questões, lançadas como fogos de artifício, não para trazer indagações, mas estupefação “[Paulo] desafia a todos e a qualquer um, no céu, na Terra, ou no inferno, a respondê-las, e a negar a verdade que contêm”.(Stott, Romans: God´s Good News to the World, 254.)

Essas indagações não lhe são novas. Você as tem feito. Dentro da noite, você tem indagado. O diagnóstico médico as trouxe à tona, assim como fizeram a decisão da corte e o telefonema do banco. As questões esquadrinham a dor e o problema a circunstância. Não, as questões não são novas; as resposta são.

Traduzido por Cynthia Rosa de Andrade Marques
Texto original extraído com permissão do site www.maxlucado.com